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Tudo é ousado para quem nada se atrave.

11/Jul/2016 a 20/Set/2016

Texto crítico: Francisco Brennand

Pragana possui um nome de pintor. Alguém que tem gana de pintar e não foi por acaso que escolheu a frase de Fernando Pessoa: “Tudo é ousado para quem nada se atreve”.

Continuidade e inovação: é o que se pode mencionar em primeiro lugar sobre estas telas expostas na Arte Plural Galeria. Impressiona, sobretudo, o tamanho de seus quadros. Poder-se-ia mesmo pensar que estamos diante de um muralista cuja ambição conceitual não lhe permite se exprimir em formatos pequenos. Ele preside um tribunal, onde está sendo julgado a anatomia dos corpos e também
a dos espaços. “Um sutil disfarce” é o nome de um dos seus quadros cujas medidas 1,00 x 2,00m já disse a que veio.

Como é estranho esse mundo das palavras. Como é que se pode afirmar que a pintura já acabou quando tudo é repercurso. Como um pêndulo o tempo oscila em duas direções. Acontece que as duas coisas podem ser confundidas, a fria escuridão das cavernas com a claridade excessiva
de um mundo que aquece inexoravelmente. A pintura de Pragana viaja nessas duas direções como um fio oculto que dirige todas as coisas. Ele é o pintor rudimentar que traça com aspereza as grandes linhas que formatariam a caça que toda a comunidade exigia e, ao mesmo tempo, o artista totêmico que lança suas figuras de arcanjos no mundo das nuvens como se esse espaço superior também ostentasse seus sólidos pavimentos. Pintura mural? Vamos lembrar o grande Fernand Léger a vociferar:

“É preciso destruir os muros”, o que eu atenuaria para dizer que é preciso enfeitiçá-los.
Os arquitetos modernos acham que o
muro de concreto é tão somente um muro de concreto, mas eu continuaria a dizer que é preciso enfeitiçá-lo.

Um dos aspectos curiosos da pintura
de Pragana é que, apesar da sua extrema ousadia, ele continua um pintor figurativo, embora a maior parte de suas figuras totêmicas, humanizadas ou animalizadas, estejam aprisionadas por um grafismo carbonário, isto é, revolucionário, porquanto, inusitado. Ele é novo como um astronauta e tão antigo quanto um feiticeiro das cavernas a pintar na escuridão.
Essas palavras não têm outra destinação senão demonstrar o meu apreço e admiração por esse artista pernambucano que pode perfeitamente se inscrever desde há algum tempo na galeria dos grandes pintores brasileiros.

O seu admirável instinto de artista é demonstrado na sua coragem de intitular seus grandes murais. Recordo que foi matéria de uma conversa a necessidade em dar “nome aos bois”, o que significa nomear cada trabalho que um pintor realiza. Pragana é inclusive poeta. Um dos seus quadros chama-se: “Respiração das nuvens”.

Francisco Brennand
Engenho Santos Cosme e Damião,
29 de abril de 2016.