ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Fique por dentro da programação de eventos e exposições da Arte Plural Galeria. Digite seu email abaixo:

POSSIBILIDADES // EXPOSIÇÃO COLETIVA

21/Mar/2018 a 12/Mai/2018

EXPOSIÇÃO COLETIVA

21/Mar/2018 a 12/Mai/2018

Prefiro que você esteja bem aqui

No poema Possibilidades, a poeta polonesa Wislawa Szymborska nos dá algumas opções de escolha: “Prefiro o cinema./ Prefiro os gatos./ Prefiro os carvalhos sobre o Warta./ Prefiro Dickens a Dostoiévski./ Prefiro-me gostando das pessoas/ do que amando a humanidade./ Prefiro ter agulha e linha à mão./ Prefiro a cor verde./ Prefiro não achar/ que a razão é a culpada de tudo (…)”. Pois aqui tomando emprestado o título e os versos desta apanhadora de banalidades espantosas, convidamos vocês a desbravar as possibilidades apontadas aqui, nesta coletiva.

Há quem prefira o gesto de tinta ao fotográfico. Há quem prefira a dor patente das mulheres indígenas que lutam preto-no- branco aos caminhos mais formais da pintura abstrata. E há quem fale da dor de ter uma flor entre as pernas, enquanto há quem vislumbre outras paisagens para o espaço urbano, refazendo-as em recorte. Há quem fale de nós (todos falam de nós, deixando outros “nós” também de lado); há quem mostre o invisível tão visível a nós, monte outras realidades… Repelindo-se ou complementando-se, as obras desta mostra são caminhos possíveis de ser; como geralmente são as trilhas coletivas.

Viver não é fácil, não é; ainda mais se temos tantas opções… Ou seria ainda mais difícil se não as temos de verdade?

“Prefiro o ridículo de escrever poemas/ ao ridículo de não escrevê-los./ Prefiro, no amor,/os aniversários não marcados,/ para celebrá-los todos os dias./ Prefiro os moralistas/ que nada me prometem (…) / Prefiro os países

conquistados aos conquistadores./ Prefiro guardar certa reserva./ Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem./ Prefiro os contos de Grimm às manchetes de jornais.” Mas “em nossos tempos estrepitosos”, como discursou a nossa poeta ao ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1996, precisamos da arte; precisamos, Mário Pedrosa. Porque é nela que nos salvamos dos perigos das verdades absolutas, das crises, das reais violências oficiais de todo dia. Quando o poeta fala, a gente escuta. E quando os artistas pintam, fotografam, esculpem, criam objetos, a gente observa. Suspende o tempo e aprecia o presente, acolhendo o ser emocional que somos. Porque sentimos antes de ser processo mental, filtramos e respondemos a vida assim. Da natureza do que somos. E é evidente que a guerra diária se apresenta aqui em forma de possibilidade, abertura.

Ao reunir neste espaço da Arte Plural Galeria – momentaneamente e em uma única vez – os artistas Antônio Mendes, Álvaro Caldas, Bruno Alheiros, Dani Acioli, David Alfonso, Eric Gomes, Iezu Kaeru, Leandro Pereira, Roberto Lúcio, Ploeg, Pragana, Priscilla Buhr e o coletivo Vacilante, penso em uma dada multiplicidade, oportunidade, bravura e delicadeza para encarar o tempo presente. Porque “prefiro as exceções”, “prefiro muitas coisas que aqui não disse,/ a outras tantas não mencionadas aqui”, “prefiro não perguntar quanto tempo ainda e quando./ Prefiro ponderar a própria possibilidade./ do ser ter sua razão”.

Olívia Mindêlo